quarta-feira, 28 de novembro de 2012

As Minas Jejê e da Passagem


Para entender um pouco sobre a história da exploração do ouro em MG, é preciso saber um pouco da sua história:

Do século XVI ao século XIX, o tráfico transatlântico trouxe para o Brasil 4 a 5 milhões de falantes africanos extraídos de duas regiões subsaarianas : a região banto, situada ao longo da extensão sul da linha do equador, e a região oeste-africana ou sudanesa, que abrange territórios que vão do Senegal à Nigéria.
A região banto compreende um grupo de 500 línguas muito semelhantes, que são faladas na África sub-equatorial. Entre elas, as de maior número de falantes no Brasil foram três línguas angolanas: quicongo, também falada no Congo, quimbundo e umbundo.
Das línguas oeste-africanas ou sudanesas, seus principais representantes no Brasil foram os povos do grupo ewe-fon provenientes de Gana, Togo e Benim, apelidados pelo tráfico de minas ou jejes, e os iorubás da Nigéria e do Reino de Queto (Ketu), estes últimos na vizinha República do Benim, onde são chamados de nagôs. Ao encontro dessa gente banto já estabelecida nos núcleos coloniais em desenvolvimento, é registrada a presença de povos ewe-fon, cujo contingente foi aumentado em conseqüência da demanda crescente de mão-de-obra escravizada nas minas de ouro e diamantes, então descobertas em Minas Gerais, Goiás e Bahia, simultaneamente com a produção de tabaco na região do Recôncavo baiano.
Sua concentração, no século XVIII foi de tal ordem em Vila Rica que chegou a ser corrente entre a escravaria local um falar de base ewe-fon, registrado em 1731/41 por Antônio da Costa Peixoto, só publicada em 1945, em Lisboa. 
Durante muitas décadas acreditou-se que havia somente línguas do tronco nagô-iorubá, predominantes na Bahia. São muito recentes as descobertas de línguas dialetais africanas de origem banto faladas por comunidades isoladas como a de Tabatinga (MG) e Cafundó (SP), além do crioulo falado em São João da Chapada e da língua mina-jeje falada pelos negros de Ouro Preto no setecentos. Jeje era o nome dado de forma perjurativa pelos yorubás para as pessoas que habitavam o leste.  A palavra JEJE vem do yorubá adjeje que significa estrangeiro, forasteiro.
Os primeiros escravos negros chegaram às minas, logo após a descoberta das primeiras jazidas auríferas, em 1695. Para o trabalho na mineração havia a preferência por um tipo específico de escravo, pelo qual se pagava caro: o negro-mina. Baixo e forte, o negro-mina vinha da região do Congo. Forte para a brutalidade do trabalho e baixo para melhor se mover nos ambientes apertados dos talhos e das galerias das minas, o negro-mina recebia tal denominação por conhecer técnicas rudimentares de mineração, as quais aprendia em sua própria cultura. Os mineradores engenhosamente construíram tetos em arco, para possibilitar a distribuição de peso evitando desabamentos.
Escoltados por tropeiros armados, os negros eram acorrentados uns aos outros e, descalços, eram conduzidos pela Estrada Real até as principais vilas da capitania como São João Del Rei, Vila Rica (Ouro Preto) e o Distrito Diamantino do Tejuco (Diamantina). Em 1876, quando o ouro de aluvião começa a apresentar sinais de exaustão, a Capitania já contava com o incrível número de 174.135 cativos, numa população de total de 362.847 habitantes. Para a maioria dos negros escravos, a situação de vida na sociedade mineradora não foi melhor do que a do nordeste açucareiro. A brutalidade da exploração do escravo, certamente, foi mais grave nos trabalhos de extração aurífera nas lavagens das várzeas e ribeiros e nas escavações das galerias subterrâneas. O negro era obrigado a trabalhar o dia inteiro em ambientes úmidos, frios e, muitas vezes, claustrofóbicos. Devido à desumana condição do serviço, os escravos morriam com cinco ou sete anos de serviço na mineração. Eram comuns as mortes por soterramento, afogamento, asfixia e doenças como silicose, dermatites agudas, pneumonia e tuberculose. Os escravos alimentavam-se basicamente de angu e feijão. Aguardente e tabaco também eram fornecidos a eles, até mesmo para compensar a alimentação deficiente e garantir sua possibilidade de continuar trabalhando.
A população das regiões mineiras (atuais Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás) comprava com ouro em pó de várias partes do Brasil aquilo de que necessitava. Do Nordeste vinham gado, couro e farinha de mandioca; do Rio de Janeiro, africanos escravizados e artigos europeus (vidros, louças, tecidos, ferramentas); de São Paulo, milho, trigo, marmelada; do Sul, cavalos, bois, mulas e charque.
Ao mesmo tempo em que incentivava a extração do ouro, a Intendência criava e cobrava pesados impostos: sobre homens livres e escravizados, sobre tecidos, ferramentas, gêneros agrícolas e, é claro, sobre o ouro. O mais importante deles era o quinto (20% de todo o ouro extraído). A cobrança era feita, sobretudo, nas estradas que ligavam Minas Gerais ao Rio de Janeiro, a São Paulo e à Bahia, sempre policiadas por soldados  (dragões do Regimento das Minas). Quanto maior a opressão fiscal, mais a população reagia, praticando o contrabando: escondia ouro entre os dedos dos pés, nos saltos e nas solas das botas, entre doces e salgados que as quitandeiras carregavam em seus tabuleiros, dentro das estátuas de santos (famoso "santo do pau oco"), ou passavam óleo nas éguas para grudar as pepitas de ouro entre os pelos dos animais e depois de passar pela fiscalização, lavavam as éguas com água dos rios para soltar as pepitas, daí o ditado "lavar a égua".
Fontes: Pedro - guia - (31) 85027488
http://www.scielo.br
http://professormarcianodantas.blogspot.com.br
http://historiamaneco.blogspot.com.br
Maior Mina de Ouro aberta a visitação do mundo, a Mina da Passagem guarda
segredos e mistérios que encantam a todos. A descida para as galerias subterrâneas
se faz de modo incomum, através de um trolley, que chega a 315m de extensão e 120m de profundidade, onde se vê um belo lago natural. O cenário do interior da mina impressiona. A temperatura é estável o ano todo, entre 17 a 20º C. Desde a sua fundação no início do século XVIII, foram retiradas aproximadamente 35 toneladas de ouro.
As Minas da Passagem, a cinco minutos de Ouro Preto-MG, em direção a Mariana-MG,
está aberta para a visitação pública às segundas e terças de 9 às 17 horas, e quartas a domingos de 9 às 17:30 horas.
Em 1719 foi fundada a Vila da Passagem, que se encontra entre as duas cidades (Ouro Preto e Mariana). Durante essa época, os mineiros que iam subindo o rio bateando os depósitos aluvionares, descobriram o ouro primário de Passagem. A mão-de-obra era totalmente escrava e acredita-se que em certa época, cerca de 35 mil escravos povoaram as senzalas do Morro Santo Antônio.  Os bandeirantes percorreram os veios d`agua da bacia do Rio Doce, atingiram o Ribeirão do Carmo, no qual localizaram Ouro aluvionar abundante. Subindo o Ribeirão, em típica prospecção por bateia, descobriram em 1719 as jazidas primárias de Passagem. De 1729 à 1756, vários mineiros obtiveram concessões para a exploração das jazidas. Com o passar dos anos, reduziram-se a um único dono. Após sua morte seus herdeiros transferiram a Mina, a 12 de Março de 1819, ao barão W. L. von Eschwege que formou a primeira empresa mineradora do Brasil, sob o nome de Sociedade Mineralógica de Passagem. Depois de muitos anos prósperos, o Barão Eschewege, atraído por novas atividades na siderurgia pioneira, desinteressou-se da mineração do Ouro. 
A Sociedade Mineralógica passou, a 1º de junho de 1859, às mãos do mineiro Inglês Thomas Bawden. Este, depois de trabalhar quatro anos, revendeu-a, a 26 de novembro de 1863, à Thomas Treolar, representante da nova empresa em formação, a "Anglo Brazilian Gold Mining Company Limited", que encampou a Sociedade Mineralógica de Passagem. Em 14 de março de 1883 foi vendida a um sindicato francês, que constituiu a "The Ouro Gold Mines of Brazil Limited". A nova empresa operou com grande sucesso até março de 1927, quando foi vendida ao grupo Ferreira Guimarães, banqueiros de Minas Gerais e transformada, em maio do mesmo ano, na atual Companhia Minas da Passagem. A Companhia operou regularmente até 1954. De então, até 1960 esteve paralizada. Tentativas de reabertura foram infrutíferas. A conjuntura inflacionária, a falta de capital e de espírito mineiro, principalmente, o preço irreal do ouro, fixado em 35 dolares a onça-troy, e finalmente a obrigatoriedade de toda a produção ser vendida ao Banco do Brasil, tornavam a lavra economicamente inviável. De 1967 a 19 de dezembro de 1973, o Grupo da Companhia Anglo Brasileira de Construções adquiriu o controle acionário da Companhia Minas da Passagem, sem ter sucesso nas tentativas, então desordenadas, de desenvolver o empreendimento. Em outubro de 1976, os então acionários majoritários, reconhecendo o insucesso de suas tentativas, retornaram o controle acionário ao Dr. Walter Rodrigues.
Fontes: Pedro - guia - (31) 85027488
 www.minasdapassagem.com.br






Um comentário:

  1. Suas matérias sobre a minha terra são ótimas.
    Parabéns
    Mano

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